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Histórico

Publicado: Segunda, 13 de Março de 2017, 17h22 | Última atualização em Segunda, 25 de Abril de 2022, 13h07 | Acessos: 5950

         

"CIÊNCIA PARA A SAÚDE, A OPERACIONALIDADE E O DESPORTO MILITAR"

 

  • Antecedentes

Como consequência do progresso científico e tecnológico, que impôs uma atualização de equipamentos, instalações e recursos humanos, o núcleo do Instituto de Pesquisa da Capacitação Física (IPCF) foi criado por meio da Portaria Ministerial no 059 - Res, de 5 de dezembro de 1990 e organizado pela Portaria no 047-4ª SCh/EME, de 10 de dezembro de 1990 (Reservada), integrando, entre 1991 e 1997, um dos segmentos do recém-estabelecido Centro de Capacitação Física do Exército e Fortaleza de São João (CCFEx/FSJ), para cumprir os seguintes objetivos:

            - assessorar o comando do Centro em todos os assuntos referentes à pesquisa, assegurando a execução das decisões tomadas e realizando o controle dos resultados obtidos;

            - planejar, coordenar, programar, executar e controlar projetos e trabalhos de pesquisa com as diretrizes do comando do Centro;

            - desenvolver pesquisas da capacitação física ligadas às áreas de cardiologia, fisiologia, cinesiologia, psicologia, bioquímica, nutrição, avaliação funcional, cineantropometria e outras para a solução de problemas relevantes ao Exército Brasileiro na área de treinamento físico militar e desportivo;

            - supervisionar e acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelas seções, através de informações periódicas prestadas pelos respectivos chefes.

 Os primeiros projetos de pesquisa elaborados e submetidos à apreciação do escalão superior, por meio de Estudos de Viabilidade Técnico-econômica, Planejamento Geral e Planejamento Operacional foram: A Influência das Condições Climáticas nas Respostas Orgânicas durante as Atividades Militares; e Acompanhamento da Curva de Lactato durante a Execução das Provas do TAF.

Nos anos iniciais de sua existência, o IPCF desenvolveu, ainda, os projetos: Elaboração dos Módulos Didáticos de Treinamento Físico Militar para Mulheres; A Relação do Teste de 12 Minutos com o Limiar Anaeróbico; A Influência da barra na Menção do TAF; e Uma Abordagem Crítica sobre a Pista de Pentatlo Militar no TAF.

Assim, dentro da concepção à época, o IPCF surgiu com a grande responsabilidade de auxiliar no redimensionamento da formação de oficiais e sargentos na área de educação física e do treinamento de atletas. Cabia ao jovem Instituto pesquisar novos conhecimentos para que a Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx) pudesse difundi-los junto aos discentes e a Comissão de Desportos do Exército (CDE) aplicasse-os no treinamento de atletas. Estava, portanto, estabelecida a estrutura integrada e harmônica, coordenada pelo CCFEx, com vistas ao desenvolvimento da educação física e desportiva.

 

  • A Organização Militar IPCFEx

Com o crescimento das necessidades em pesquisas científicas para o Exército Brasileiro (EB), o IPCF precisou aumentar seu efetivo e modernizar-se, por meio da utilização de equipamentos e aparelhos padrão-ouro. Desta forma, conforme a Portaria no 223, de 23 de abril de 1998, do Ministro de Estado do Exército, o Instituto de Pesquisa da Capacitação Física do Exército (IPCFEx) foi criado como uma organização militar (OM), a contar de 31 de janeiro de 1997, independente e subordinada ao CCFEx, ampliando sua capacidade de realizar pesquisas, projetos científicos e aperfeiçoamento educacional. Seu primeiro Diretor foi o Coronel de Infantaria Josué Morisson de MORAES, nomeado pela Portaria No 587, de 17 de setembro de 1998.

 

Foto historica

Portaria No 223, de 23 de abril de 1998.

 

Assunção da Direção do IPCFEx pelo Cel Moraes, em 17 de setembro de 1998.

 

Primeiro distintivo da OM IPCFEx.

 

Os relatos da época registram que já eram executados trabalhos em interação com a comunidade acadêmica e científica, incluindo considerável número de pesquisas de alto interesse para o EB.

 

Assinatura de convênio com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 

Estavam em vigor convênios com diversas universidades, intercâmbio de conhecimentos técnico-científicos e de professores e pesquisadores, estimulando-se a formação de pessoal em nível de pós-graduação.

 

Aula inaugural da Pós-graduação em Treinamento Desportivo, com os Professores Doutores Manuel José Gomes Tubino e José Maurício Capinussú de Souza.

 

A missão do IPCFEx passava a ser:

- assessorar o comando do Centro em todos os assuntos referentes à pesquisa;

- planejar, coordenar, programar, executar e controlar projetos e trabalhos de pesquisa de acordo com as diretrizes do Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP), voltados para a Operacionalidade do EB; e

- desenvolver pesquisas de capacitação física ligadas às áreas de Cardiologia, Fisiologia do Esforço, Biomecânica, Psicologia, Nutrição e Cineantropometria, para solução de problemas de interesse do Exército na área de treinamento físico e desportivo.

Inicialmente, as investigações científicas do Instituto estavam inseridas em cinco linhas de pesquisas, a saber: Termorregulação e Reposição Hidroeletrolítica; Nutrição no Exército Brasileiro; Treinamento Físico Militar e sua Avaliação; Composição Corporal de Militares do EB; e Estresse Psico-fisiológico no Desempenho Operacional/Funcional do Militar.

 

Organograma do IPCFEx em 2003.

 

Nos seus primeiros anos de existência, o IPCFEx realizou pesquisas de significativa relevância solicitadas pelo Comando do Exército e pelo DEP, tais como: Reposição hidroeletrolítica em militares durante e após atividades militares em clima quente e úmido; A influência  de  uniformes  militares  sobre  variáveis  fisiológicas numa  atividade  de  corrida em ambiente quente e úmido em soldados do Exército Brasileiro; Efeitos do treinamento de Puxada na   Barra efetuado com diferentes números de séries e frequências semanais  sobre a Força  Muscular  relativa ao Peso Corporal; Tarefa militar e lesão muscular em conscritos do Exército Brasileiro; Efeitos do condicionamento físico aeróbio e da privação do sono nas tomadas de decisão durante operações continuadas; e Projeto Nutrição e Saúde no Exército Brasileiro.

 

 

Pesquisa: Reposição hidroeletrolítica em militares durante e após atividades militares em clima quente e úmido.

 

  • Os Eventos Científicos

Além dos estudos em desenvolvimento, o IPCFEx também visa estreitar os laços com a comunidade científica, projetando o nome do EB e promovendo debates de alto nível sobre assuntos de interesse da Força Terrestre, através da organização de grandes eventos.

Em 1997, foi realizada a primeira edição do Simpósio Internacional de Atividades Físicas do Rio de Janeiro (SIAFIS-RJ), com grande repercussão.

O evento, atualmente com mais de vinte edições, permanece como uma referência nacional e internacional, reunindo pesquisadores renomados, estudantes, treinadores e atletas, civis e militares. Seu objetivo é apresentar temas relacionados às ciências do esporte, da saúde, da medicina esportiva e das ciências militares, além de promover intercâmbio acadêmico-científico entre pesquisadores nacionais e internacionais e divulgar a produção doutrinária no tema da Capacitação Física.

 

9º SIAFIS-RJ, em 2005.

 

No ano de 2021, o 19º SIAFIS-RJ – “Tendências Atuais no Treinamento Físico para a Saúde e Desempenho” foi, pela primeira vez realizado na modalidade híbrida, presencial e com transmissão em streaming.

 

19º SIAFIS-RJ, em 2021.

 

Um dos marcos simbólicos do Instituto, que representou um grande salto na comunidade científico-acadêmica foi a organização, em 1999, do primeiro simpósio “Treinamento Físico: Limites para a Saúde e para o Desempenho”, com a presença do renomado Doutor Kenneth Cooper, o idealizador do Teste de 12 minutos.

 

Kenneth Cooper, no Simpósio de Treinamento Físico, em 1999.

 

A fim de promover o debate e propor sugestões ao “Programa de Prevenção e Controle da Rabdomiólise Induzida pelo Esforço Físico e pelo Calor” no âmbito Exército Brasileiro, o IPCFEx promove, anualmente, o evento científico-militar de atualização sobre o tema, nas instalações do CCFEx/FSJ.

 

2º Simpósio de Rabdomiólise, em 2017.

 

A atividade costumeiramente apresenta abordagens relevantes como a padronização dos procedimentos assistenciais em atividades com elevado risco de rabdomiólise, a apresentação das propostas de revisão da legislação que trata de aspectos relacionados à capacitação física, instrução militar e apoio de saúde, como também sugere melhorias no processo de prevenção e controle, no âmbito Força Terrestre, através de palestras técnicas e discussões.

 

  • Os Projetos TAF

Em 2001, o EB, a fim de atualizar os conhecimentos acerca da aptidão física de seus integrantes e dos novos índices dos testes componentes do TAF, buscando não só o aperfeiçoamento do treinamento e a determinação da prevalência, a distribuição e o risco da doença cardíaca coronariana e dos seus fatores de risco, como também propondo possíveis medidas preventivas, realizou, por meio do IPCFEx, o “Projeto TAF 2001 – Aptidão Física e Risco de Doença Cardíaca Coronariana no Exército Brasileiro”.

 

Fundamentação do Projeto TAF 2001.

 

A avaliação à época, regulamentada na Portaria 739-EME, de 17 de abril de 1999 estava baseada em coleta de dados realizada em 1984, quando foi constatado que 51% dos militares realizavam treinamento físico insuficiente ou não se submetiam a nenhum treinamento físico, e que 23,4% dos militares tinham sua saúde prejudicada por doenças cardiocirculatórias. A expectativa era de que o padrão de condicionamento físico apresentado pelos militares, em 2001, já estivesse superior ao apresentado naquela situação.

Os objetivos do Projeto TAF 2001 eram:

- Determinar a situação atual do EB no tocante ao condicionamento físico dos militares;

- Verificar a adequabilidade do PBD, PAD e das tabelas de Conceituação do desempenho físicos individuais existentes na Diretriz para o TFM e sua Avaliação - BE no 17, de 30 de abril de 1999, em relação à condição física do EB;

- Propor modificações nas provas utilizadas para a avaliação física do EB;

- Buscar uma avaliação do TFM coadunada com a situação atual do EB e com a necessidade de compatibilizar a avaliação do TFM com as atuais exigências de condicionamento físico do militar;

- Estabelecer os Padrões de Desempenho (PBD) para o segmento feminino;

- Adaptar a execução e avaliação do TFM de acordo com as características diferenciadas do segmento feminino;

- Estabelecer os Padrões Especiais de Desempenho (PED) para as OM Especiais e de Pronto Emprego do EB;

- Adaptar a execução e avaliação do TFM de acordo com a missão, terreno e meios das OM de natureza especial;

- Determinar a prevalência, distribuição e risco da doença cardíaca coronariana no EB e propor medidas preventivas;

- Verificar a existência de militares com excesso de peso e, também, a ocorrência de acidentes cardiovasculares em militares durante ou imediatamente após a realização do TAF ou TFM; e

- Verificar a adequabilidade dos intervalos de divisão das faixas etárias constantes da Diretriz para o TFM e sua Avaliação - BE no 17, de 30 de abril de 1999.

 

 

Projeto TAF 2001.

 

O projeto foi bastante ambicioso e sua contribuição residiu na elaboração de propostas de modificações de provas constantes da avaliação física e na atualização dos Padrões de Desempenho Físico existentes na Diretriz para o Treinamento Físico Militar e sua Avaliação, além de diagnosticar um perfil do militar do EB, por meio da verificação da incidência de doença cardíaca coronariana. A situação àquele momento era desconhecida, porém havia fortes evidências de que era merecedora de atenção especial.

 

Em 2018, o Estado Maior do Exército (EME) considerou fundamental que os dados da condição física dos militares brasileiros fossem atualizados, tendo em vista que as informações, que o IPCFEx possuía, foram coletadas em 2001 e não representavam a atual situação da condição física do EB. Além disso, os dados coletados em 2001 não permitiam uma análise adequada da condição física dos militares do sexo feminino em todas as faixas de idade.

 

Assim, foi novamente determinado ao IPCFEx a realização de pesquisa de vulto e de amplitude nível Exército, o “Projeto TAF 2018 – Avaliação da Aptidão Física, Perfil Antropométrico e Indicadores de Saúde de Militares do Exército Brasileiro”, com o objetivo realizar o levantamento da capacidade física e do perfil antropométrico dos militares em nível nacional, para verificar a adequação dos índices de desempenho físico propostos na Diretriz para Avaliação Física do EB. As atividades aconteceram até o mês de agosto de 2018, quando se intencionava avaliar aproximadamente 8.000 militares, distribuídos, proporcionalmente, por idade, sexo e Comando Militar de Área, de forma que a amostra fosse a mais representativa possível.

 

 Projeto TAF 2018.

 

  • O Presente

O IPCFEx, por meio da Portaria – C Ex no 1650, de 10 de dezembro de 2021, foi reconhecido e credenciado como uma Instituição de Pesquisa do EB, prosseguindo nas investigações acerca da saúde e da qualidade de vida dos militares, verificando os impactos fisiológicos e motores da inserção da mulher na Linha de Ensino Militar Bélico, bem como a capacitação física do combatente em operações militares e dos alunos de cursos operacionais, dentre outros temas.

Em 2022, o IPCFEx completou 25 anos, comemorando o seu Jubileu de Prata, e novas pesquisas científicas de interesse do EB somaram-se às correntes. No que tange ao Apoio à Operacionalidade, destaca-se a realização da certificação física e a avaliação da composição corporal dos 5˚ e 6˚ Batalhões de Infantaria Leve, que compõem a Força de Prontidão (FORPRON), com vistas à participação no Combined Operations and Rotation Exercises (CORE 22), em conjunto com o Exército dos Estados Unidos. Adicionalmente, o Teste Físico Operacional (TFO), composto de tarefas militares, está em fase final de adaptação e desenvolvimento, representando significativo avanço na especificidade da avaliação física para o combate. No que concerne à Saúde e Qualidade de Vida, o IPCFEx realiza, dentre outras atividades, o monitoramento do estado de saúde dos militares discentes dos cursos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas (EASA), com vistas à prevenção de doenças, em específico, o transtorno complexo da síndrome metabólica.

Moeda Comemorativa aos 25 Anos do IPCFEx – Jubileu de Prata.


 

Destarte, desde 1991, com um pequeno grupo de pesquisadores, que compunham o núcleo do IPCF, como um segmento do CCFEx, e, até hoje, como uma OM independente, com Seções bem definidas, dotado de equipamentos modernos, quadros especializados e maior efetivo, sob o lema “Ciência para a saúde, a operacionalidade e o desporto militar”, o NOSSO INSTITUTO é incansável na busca constante da atualização científica, que objetiva a melhor capacitação física dos militares do EB!

 

 

 

 

Bibliografia:

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_____. Portaria – C Ex Nr 1650, de 10 de dezembro de 2021. Reconhece e credencia Escolas, Centros de Instrução e Instituições de Pesquisa, como Instituições de Educação Superior, Extensão e de Pesquisa. Publicada no Boletim do Exército No 51, de 24 de dezembro de 2021.

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